União da Juventude Comunista - Curitiba
Fundada em primeiro de agosto de 1927 OUSAR LUTAR! OUSAR VENCER!
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
É um trágico erro separar a classe burguesa em “nacional” e “estrangeira”... - Por: Elisseos Vagenas
A posição dos comunistas contra toda união imperialista é um critério fundamental
Elisseos Vagenas – Membro do Comitê Central do Partido Comunista Grego (KKE), responsável da Seção de Relações Internacionais do CC
"Desgraçadamente, estas análises não são apoiadas apenas pelas forças burguesas, mas também partidos caracterizados como “de esquerda” e, inclusive, comunistas,como o PC do Brasil (enquanto as uniões nas regiões da América Latina) ou o PC da Federação Russa (na denominada região da Eurásia)".
(Publicado em “Rizospastis” em 15 de janeiro de 2012)
A crise capitalista global, consequência da contradição básica do sistema capitalista, conduz a um maior aprofundamento das contradições interimperialistas e à aparição de novas e poderosas potências imperialistas. Estas potências tratam de formar novas uniões interestatais com múltiplos objetivos: o fortalecimento de sua posição frente a seus rivais globais, o controle das matérias primas, a energia, as rotas de transporte de energia, o controle de esferas de mercado para favorecer seus monopólios, assim como uma maior exploração da classe trabalhadora e o reforço do poder burguês em todos os países, utilizando as “ferramentas” que provêem das uniões interestatais imperialistas.
Assim, assistimos, junto a nossas “bem conhecidas” uniões, como a UE, que surgem novas uniões no território da antiga URSS e na América Latina. Tais uniões podem ser novas, porém as “raízes” de sua criação não são outras que as assinaladas nas obras de Lênin: que na época do imperialismo, fase final do capitalismo, são formadas uniões internacionais de capitalistas que repartem o mundo.
Uma tentativa de mascarar as intenções
Certas forças estão levando a cabo uma tentativa de “mascarar” este objetivo das classes burguesas dessas regiões, em nome da formação de um “mundo multipolar”. Segundo este ponto de vista, é positivo para os povos que surjam outros “pólos” fortes no cenário internacional, além dos EUA e da UE. Como argumento adicional, é citado o período de existência da URSS, que operava como um “contrapeso”.
Ao mesmo tempo, a tentativa de “mascarar” as novas uniões interestatais afirma que estas uniões aparecem para ajudar ao “capital nacional” contra o denominado capital “comprador submetido aos estrangeiros”, reforçando assim “o desenvolvimento”, impedindo a penetração dos EUA e de outras organizações imperialistas, como a OTAN e a UE, nestas regiões e, inclusive, salvaguardando a “soberania nacional”, que de outra forma estaria ameaçada pelo imperialismo internacional.
Desgraçadamente, estas análises não são apoiadas apenas pelas forças burguesas, mas também partidos caracterizados como “de esquerda” e, inclusive, comunistas, como o PC do Brasil(enquanto as uniões nas regiões da América Latina) ou o PC da Federação Russa (na denominada região da Eurásia).
O que está sendo esquecido
Não obstante, estes partidos se esquecem de observar o assunto sob a perspectiva de classe. Se eles não tivessem esquecido, teriam observado que a União Soviética não se parecia com estas novas uniões interestatais. Atualmente, nós enfrentamos as uniões que estão construídas sobre o terreno do capitalismo monopolista, do imperialismo. Além disso, o imperialismo não deve ser entendido de maneira simplista, como uma política agressiva das potências mais fortes que vem impor-se aos povos, de fora para dentro, com o poder do dinheiro e das armas. Nas condições atuais, todo país em que prevaleçam as relações de produção capitalistas, independentemente do nível do desenvolvimento de suas forças produtivas, se incorpora ao sistema imperialista internacional, sendo uma seção do mesmo.
Então, se analizarmos o processo de formação de novas uniões interestatais, que estão sendo criadas na Eurásia ou na América Latina, com um enfoque de classe, veremos que estas não estão se formando para servir aos interesses dos povos, mas para promover os interesses do capital de países concretos e de seus monopólios.
Por exemplo, o Brasil, onde o capital está vendo hoje um importante crescimento de sua rentabilidade, opera como “motor” nas novas uniões interestatais que estão sendo criadas na América Latina. A atividade econômica e diplomática do estado brasileiro tem o objetivo de converter o Brasil num forte competidor capitalista no marco da “pirâmide” imperialista. Já em alguns mercados da América Latina são predominantes as empresas multinacionais brasileiras, que gozam de financiamento público. A Rússia opera de forma similar, assim como os monopólios russos, no território da antiga URSS.
Com a formação de novas uniões interestatais, que constituem expressões de unificação capitalista regional e sempre surgem sobre a base das leis da economia de mercado, as classes burguesas tratam de unir suas forças contra seus rivais e às custas da classe trabalhadora. A política de apoio a estas uniões transforma o movimento comunista e operário numa ferramenta de apoio ao “desenvolvimento” capitalista, o que fortalece as posições do capital e leva os trabalhadores à “câmara de tortura”, ao consenso social favorável ao investimento da “competitividade” da “economia nacional” e ao fortalecimento da união interestatal imperialista específica.
Por outro lado, o “mundo multipolar” não é realmente mais pacífico e seguro para os povos, já que é um mundo de duras e predadoras alianças e conflitos imperialistas, que se fundamentam em todas as formas possíveis: econômicas, políticas, diplomáticas, espionagem, militar, etc.
Tal enfoque de apoio às novas uniões imperialistas poderia ser catastrófico para o movimento comunista, já que deixaria ao povo a incumbência de escolher entre imperialistas. Poderia levar a posições e ações que o deixariam exposto.
Não a toda união imperialista
Não há dúvida de que todas as potências imperialistas e, sobretudo, os EUA e a UE, obstaculizam o surgimento e funcionamento de outras uniões imperialistas, posto que ambos operam conforme seus interesses. Além disso, sabe-se que as potências imperialistas têm mecanismos muito diversos de intervenção, desde os meios de comunicação eletrônica às ONG’s, até “institutos de investigação”, aos quais dão dinheiro para que influam e corrompam as consciências, etc. Existem informações específicas sobre o papel jogado por uma série de agências imperialistas no treinamento de forças que estiveram ativas na denominada primavera árabe e/ ou estariam ativas agora na Síria.
Está claro que não podemos ignorar os interesses e planos de cada potência imperialista em distintas regiões e em distintos momentos. A luta contra os planos imperialistas deve fortalecer-se em todos os lugares. Não obstante, nós comunistas cairemos em trágicos erros e adotaremos posições inaceitáveis se substituirmos o enfoque de classe para analisar os acontecimentos por teorias não classistas, supostamente “geopolíticas”, que exijam a escolha do lado imperialista, ocultando a contradição básica entre capital e trabalho, que é a mesma em todos os países capitalistas.
Por isso, é um erro separar a classe burguesa em “nacional” e “estrangeira”. É igualmente perigoso e equivocado escolher apoiar uma união imperialista ou outra. Os movimentos comunista e operário devem ter um posicionamento claro de oposição a toda união imperialista, lutando pela saída de nossos países dos planos e das uniões imperialistas, com o simultâneo derrocamento do sistema capitalista que as cria.
Tradução: Maria Fernanda M. Scelza (PCB)
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Pinheirinho, novo patamar do "higienismo" fascista em São Paulo
Veja a Página do PCB – www.pcb.org.br
Partido Comunista Brasileiro – Fundado em 25 de Março de 1922
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Um outro mundo é possível... e necessário: O Socialismo!!!
todas as armas são boas
pedras
noites
poemas”
Paulo Leminski
A União da Juventude Comunista (UJC), Juventude do Partido Comunista Brasileiro (PCB) saúda os participantes do Fórum Social Mundial Temático 2012 e propõe debates necessários na construção de mudanças estruturais na sociedade vigente.
Mais uma vez, o Brasil se torna centro de diversos movimentos, entidades e partidos do campo popular de todo o mundo. Estudantes, trabalhadores urbanos e do campo, sem terras, indígenas, negros, mulheres, dentre outros, se unem em um grande evento mundial para denunciar as mazelas produzidas por aqueles que detêm o poder econômico e político.
Vivemos uma conjuntura de crise do capitalismo, porém já há algum tempo o FSM - Fórum Social Mundial deixou de lado sua artilharia contra o modo de produção vigente, ao propor como solução para os crescentes problemas sociais, econômicos e ambientais que afligem a humanidade, um pacto por um capitalismo mais humanizado e sustentável. O capitalismo, para nós Comunistas, hoje, entra em choque com as demandas mais básicas para as necessidades humanas como moradia, saúde, educação, ou seja, é impossível humanizar o capitalismo!!!
A estrutura atual do Fórum Social Mundial é descentralizada, mas quem “dá as cartas” são as ONGs e os grupos social-democratas que dirigem os espaços de organização e debate do Fórum, negando a importância de partidos e organizações revolucionárias, assim como de espaços deliberativos que confrontem a ordem. Entre avisos e faixas de que “Outro Mundo é Possível", não se permite dizer o nome deste outro mundo, nem tão pouco falar em superação do capitalismo, mas falar em igualdade, distribuição mais justa, protagonismo, tudo isso se ouve aos montes. Da Fundação Ford até o Instituto Luis Eduardo Magalhães, a ABRINQ e a ABONG todos estão comprometidos com a integração de culturas, a defesa da Amazônia e com um futuro melhor. Mas que futuro é esse? Com certeza o outro mundo possível e necessário para os trabalhadores não é o mesmo destas organizações e sujeitos que vivem da exploração do trabalho.
Porém, mesmo no clima de dispersão montado por sua organização, o Fórum pode ser válido na articulação de organizações, entidades e pessoas inseridas na luta popular anticapitalista. Para nós comunistas, as lutas pelas necessidades básicas para os trabalhadores como a luta contra as privatizações da saúde e educação, pelo direito a moradia, ao transporte público e barato, pela soberania e paz entre os povos, são lutas que entram em choque com a própria necessidade de expansão dos lucros e interesses dos capitalistas. Por isso, propomos que neste Fórum consigamos articular experiências e lutas concretas que possibilitem edificarmos uma frente política e unitária anticapitalista e anti-imperialista.
No campo da saúde, precisamos fortalecer a unidade de luta e proposição da frente nacional contra a privatização da saúde. Lutar contra a privatização da saúde também representa colocar na ordem do dia a luta por um SUS público, estatal e de alta qualidade. Para a educação, em particular nas universidades, nós da UJC destacamos a necessidade de durante o FSM pensar um projeto de universidade alternativo ao projeto do capital. O projeto hegemônico para a universidade brasileira é global e dinâmico, é nossa tarefa questioná-lo e contrapô-lo, o que exige que trabalhemos não somente a partir de ações pontuais e reativas a seus avanços, mas principalmente a partir da formulação de um projeto alternativo igualmente global. Desta forma, a discussão em torno de uma educação e universidade popular se revela muito mais do que uma oposição às reformas universitárias atuais, visto que se insere na reflexão ativa sobre um outro projeto de sociedade, a ser protagonizado por todos os setores explorados e oprimidos pela sociabilidade vigente.
O chamado à luta popular é uma tarefa árdua e deve ser tratada de maneira criativa valorizando experiências locais ligadas a um projeto global de superação do capitalismo. É neste sentido que convidamos as organizações, entidades e indivíduos a realizar e apoiar atividades paralelas que evidenciem o caráter predatório do capitalismo em crise, a luta anti-capitalista dos povos, na Grécia, em toda Europa e no Oriente, e também a lógica elitista do governo brasileiro de Dilma (PT), que se coloca a serviço da classe dominante, quando beneficia setores do agronegócio, da especulação financeira e do empresariado em detrimento dos trabalhadores.
E não nos furtamos de chamar a atenção de que a humanidade pode caminhar para dois rumos opostos: o Socialismo ou a Barbárie! Por isso afirmamos que um outro mundo é possível... e necessário: o mundo socialista!!!
União da Juventude Comunista
CIRCULAR A TODOS OS MILITANTES, SIMPATIZANTES E AMIGOS DO PCB
90 ANOS DO PCB!
Em 25 de março de 2012, o PCB estará comemorando 90 anos de uma extraordinária história, de alegrias e tristezas.
Em função de vários períodos de clandestinidade, da repressão de ditaduras e da ação de oportunistas, dispomos em nossos arquivos de poucos documentos (livros, fotografias, áudios, vídeos, objetos e outros registros políticos, históricos e literários) que retratem a intensa vida do PCB nestes 90 anos.
Carecemos também de depoimentos escritos ou gravados, com narrativas sobre aspectos diversos da vida partidária, curiosidades, histórias inéditas, alegres ou tristes.
O Secretariado Nacional do PCB está encarregado de centralizar a recepção de todo este material espalhado pelo país. O material pode ser enviado ao PCB pessoalmente, por via postal ou eletrônica.
Com a tecnologia hoje disponível, você não precisa se desfazer do seu acervo pessoal, que certamente tanto lhe orgulha. Fotos e documentos podem ser escaneados e enviados por via eletrônica. Se o doador não tiver conhecimentos tecnológicos ou recursos materiais para a reprodução e remessa de sua contribuição, providenciaremos formas de ajudá-lo, inclusive com a interação de camaradas do PCB em sua região.
Todo este material será divulgado nos sítios eletrônicos do PCB e da Fundação Dinarco Reis, ligada ao Partido. Muitas das doações serão aproveitadas para publicações e outras iniciativas comemorativas dos 90 anos. Os doadores só serão identificados, se desejarem.
VEJAM AS FORMAS DE ENTREGA DO MATERIAL:
Por via postal:
- PCB – Partido Comunista Brasileiro
Rua da Lapa, 180 – grupo 801 – Lapa (Rio de Janeiro) – CEP 20.021-180.
Por telefone:
(021) 2262-0855 (secretária eletrônica)
Por via eletrônica:
pcb@pcb.org.br
(Secretariado Nacional do PCB), janeiro de 2012
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
CHEGA DE DISCRIMINAÇÃO! TODO APOIO À COMUNIDADE DO PINHEIRINHO! (NOTA POLÍTICA DO PCB/SP)
Mathey Loureiro, que determinou a Reintegração de Posse da área ocupada
pelos trabalhadores e trabalhadoras do Pinheirinho, ignorando o processo de
legalização e regularização do terreno que já estava em andamento.
Repudiamos também a ação da Polícia Militar do Estado de São Paulo ocorrida
no dia 05/01/2012 que, sob pretexto de busca e apreensão de “foragidos” e
drogas, implementou mais uma ação autocrática e discriminatória contra a
população pobre do Pinheirinho, gerando apenas pânico e mais sofrimento a
esta comunidade.
Exigimos do governador do Estado, Geraldo Alckmin, que respeite a suspensão
da ação de reintegração de posse e efetive a imediata regularização da área
ocupada pela população, implementando políticas que atendam os seus direitos
básicos, humanos e constitucionais.
Por fim, o PCB solidariamente se coloca à disposição da Comunidade do
Pinheirinho naquilo em que possamos colaborar.
São Paulo, 17 de janeiro de 2012.
Partido Comunista Brasileiro – PCB
Comissão Política Regional – CR/SP
sábado, 14 de janeiro de 2012
12 mitos do capitalismo
São muitos e variados os tipos e meios de manipulação em que a ideologia burguesa se foi alicerçando ao longo do tempo. Um dos tipos mais importantes são os mitos. Trata-se de um conjunto de falsas verdades, mera propaganda que, repetidas à exaustão, acriticamente, ao longo de gerações, se tornam verdades insofismáveis aos olhos de muitos.
Um comentário amargo, e frequente após os períodos eleitorais, é o de que “cada povo tem o governo que merece”. Trata-se de uma crítica errónea, que pode levar ao conformismo e à inércia e castiga os menos culpados. Não existem maus povos. Existem povos iletrados, mal informados, enganados, manipulados, iludidos por máquinas de propaganda que os atemorizam e lhes condicionam o pensamento. Todos os povos merecem sempre governos melhores.
A mentira e a manipulação são hoje armas de opressão e destruição maciça, tão eficazes e importantes como as armas de guerra tradicionais. Em muitas ocasiões são complementares destas. Tanto servem para ganhar eleições como para invadir e destruir países insubmissos.
São muitos e variados os tipos e meios de manipulação em que a ideologia capitalista se foi alicerçando ao longo do tempo. Um dos tipos mais importantes são os mitos. Trata-se de um conjunto de falsas verdades, mera propaganda que, repetidas à exaustão, acriticamente, ao longo de gerações, se tornam verdades insofismáveis aos olhos de muitos. Foram criadas para apresentar o capitalismo de forma credível perante as massas e obter o seu apoio ou passividade. Os seus veículos mais importantes são a informação mediática, a educação escolar, as tradições familiares, a doutrina das igrejas, etc. (*)
Apresentam-se neste texto, sucintamente, alguns dos mitos mais comuns da mitologia capitalista.
• No capitalismo qualquer pessoa pode enriquecer à custa do seu trabalho.
Pretende-se fazer crer que o regime capitalista conduz automaticamente qualquer pessoa a ser rica desde que se esforce muito.
O objectivo oculto é obter o apoio acrítico dos trabalhadores no sistema e a sua submissão, na esperança ilusória e culpabilizante em caso de fracasso, de um dia virem a ser também, patrões de sucesso.
Na verdade, a probabilidade de sucesso no sistema capitalista para o cidadão comum é igual à de lhe sair a lotaria. O “sucesso capitalista” é, com raras excepções, fruto da manipulação e falta de escrúpulos dos que dispõem de mais poder e influência. As fortunas em geral derivam directamente de formas fraudulentas de actuação.
Este mito de que o sucesso é fruto de uma mistura de trabalho afincado, alguma sorte, uma boa dose de fé e depende apenas da capacidade empreendedora e competitiva de cada um, é um dos mitos que tem levado mais gente a acreditar no sistema e a apoiá-lo. Mas também, após as tentativas falhadas, a resignarem-se pelo aparente falhanço pessoal e a esconderem a sua credulidade na indiferença. Trata-se dos tão apregoados empreendedorismo e competitividade.
• O capitalismo gera riqueza e bem-estar para todos
Pretende-se fazer crer que a fórmula capitalista de acumulação de riqueza por uma minoria dará lugar, mais tarde ou mais cedo, à redistribuição da mesma.
O objectivo é permitir que os patrões acumulem indefinidamente sem serem questionados sobre a forma como o fizeram, nomeadamente sobre a exploração dos trabalhadores. Ao mesmo tempo mantêm nestes a esperança de mais tarde serem recompensados pelo seu esforço e dedicação.
Na verdade, já Marx tinha concluído nos seus estudos que o objectivo final do capitalismo não é a distribuição da riqueza mas a sua acumulação e concentração. O agravamento das diferenças entre ricos e pobres nas últimas décadas, nomeadamente após o neo-liberalismo, provou isso claramente.
Este mito foi um dos mais difundidos durante a fase de “bem-estar social” pós guerra, para superar os estados socialistas. Com a queda do émulo soviético, o capitalismo deixou também cair a máscara e perdeu credibilidade.
• Estamos todos no mesmo barco.
Pretende-se fazer crer que não há classes na sociedade, pelo que as responsabilidades pelos fracassos e crises são igualmente atribuídas a todos e portanto pagas por todos.
O objectivo é criar um complexo de culpa junto dos trabalhadores que permita aos capitalistas arrecadar os lucros enquanto distribui as despesas por todo o povo.
Na verdade, o pequeno numero de multimilionários, porque detém o poder, é sempre auto-beneficiado em relação à imensa maioria do povo, quer em impostos, quer em tráfico de influências, quer na especulação financeira, quer em off-shores, quer na corrupção e nepotismo, etc. Esse núcleo, que constitui a classe dominante, pretende assim escamotear que é o único e exclusivo responsável para situação de penúria dos povos e que deve pagar por isso.
Este é um dos mitos mais ideológicos do capitalismo ao negar a existência de classes.
• Liberdade é igual a capitalismo.
Pretende-se fazer crer que a verdadeira liberdade só se atinge com o capitalismo, através da chamada auto-regulação proporcionada pelo mercado.
O objectivo é tornar o capitalismo uma espécie de religião em que tudo se organiza em seu redor e assim afastar os povos das grandes decisões macro-económicas, indiscutíveis. A liberdade de negociar sem peias seria o máximo da liberdade.
Na verdade, sabe-se que as estratégias político económicas, muitas delas planeadas com grande antecipação, são quase sempre tomadas por um pequeno número de pessoas poderosas, à revelia dos povos e dos poderes instituídos, a quem ditam as suas orientações. Nessas reuniões, em cimeiras restritas e mesmo secretas, são definidas as grandes decisões financeiras e económicas conjunturais ou estratégicas de longo prazo. Todas, ou quase todas essas resoluções, são fruto de negociações e acordos mais ou menos secretos entre os maiores empresas e multinacionais mundiais. O mercado é pois manipulado e não auto-regulado. A liberdade plena no capitalismo existe de facto, mas apenas para os ricos e poderosos.
Este mito tem sido utilizado pelos dirigentes capitalistas para justificar, por exemplo, intervenções em outros países não submissos ao capitalismo, argumentando não haver neles liberdade, porque há regras.
• Capitalismo igual a democracia.
Pretende-se fazer crer que apenas no capitalismo há democracia.
O objectivo deste mito, que é complementar do anterior, é impedir a discussão de outros modelos de sociedade, afirmando não haver alternativas a esse modelo e todos os outros serem ditaduras. Trata-se mais uma vez da apropriação pelo capitalismo, falseando-lhes o sentido, de conceitos caros aos povos, tais como liberdade e democracia.
Na realidade, estando a sociedade dividida em classes, a classe mais rica, embora seja ultra minoritária, domina sobre todas as outras. Trata-se da negação da democracia que, por definição, é o governo do povo, logo da maioria. Esta “democracia” não passa pois de uma ditadura disfarçada. As “reformas democráticas” não são mais que retrocessos, reacções ao progresso. Daí deriva o termo reaccionário, o que anda para trás.
Tal como o anterior este mito também serve de pretexto para criticar e atacar os regimes de países não capitalistas.
• Eleições igual a Democracia.
Pretende-se fazer crer que o acto eleitoral é o sinonimo da democracia e esta se esgota nele.
O objectivo é denegrir ou diabolizar e impedir a discussão de outros sistemas politico-eleitorais em que os dirigentes são estabelecidos por formas diversas das eleições burguesas, como por exemplo pela idade, experiencia, aceitação popular, etc.
Na verdade é no sistema capitalista, que tudo manipula e corrompe, que o voto é condicionado e as eleições são actos meramente formais. O simples facto da classe burguesa minoritária vencer sempre as eleições demonstra o seu carácter não representativo.
O mito de que, onde há eleições há democracia, é um dos mais enraizados, mesmo em algumas forças de esquerda.
• Partidos alternantes igual a alternativos.
Pretende-se fazer crer que os partidos burgueses que se alternam periodicamente no poder têm políticas alternativas.
O objectivo deste mito é perpetuar o sistema dentro dos limites da classe dominante, alimentando o mito de que a democracia está reduzida ao acto eleitoral.
Na verdade este aparente sistema pluri ou bi-partidário é um sistema mono-partidário. Duas ou mais facções da mesma organização política, partilhando políticas capitalistas idênticas e complementares, alternam-se no poder, simulando partidos independentes, com políticas alternativas. O que é dado escolher aos povos não é o sistema que é sempre o capitalismo, mas apenas os agentes partidários que estão de turno como seus guardiões e continuadores.
O mito de que os partidos burgueses têm politicas independentes da classe dominante, chegando até a ser opostas, é um dos mais propagandeados e importantes para manter o sistema a funcionar.
• O eleito representa o povo e por isso pode decidir tudo por ele.
Pretende-se fazer crer que o político, uma vez eleito, adquire plenos poderes e pode governar como quiser.
O objectivo deste mito é iludir o povo com promessas vãs e escamotear as verdadeiras medidas que serão levadas à prática.
Na verdade, uma vez no poder, o eleito auto-assume novos poderes. Não cumpre o que prometeu e, o que é ainda mais grave, põe em prática medidas não enunciadas antes, muitas vezes em sentido oposto e até inconstitucionais. Frequentemente são eleitos por minorias de votantes. A meio dos mandatos já atingiram índices de popularidade mínimos. Nestes casos de ausência ou perda progressiva de representatividade, o sistema não contempla quaisquer formas constitucionais de destituição. Esta perda de representatividade é uma das razões que impede as “democracias” capitalistas de serem verdadeiras democracias, tornando-se ditaduras disfarçadas.
A prática sistemática deste processo de falsificação da democracia tornou este mito um dos mais desacreditados, sendo uma das causas principais da crescente abstenção eleitoral.
• Não há alternativas à política capitalista.
Pretende-se fazer crer que o capitalismo, embora não sendo perfeito, é o único regime politico/económico possível e portanto o mais adequado.
O objectivo é impedir que outros sistemas sejam conhecidos e comparados, usando todos os meios, incluindo a força, para afastar a competição.
Na realidade existem outros sistemas politico económicos, sendo o mais conhecido o socialismo cientifico. Mesmo dentro do capitalismo há modalidades que vão desde o actual neo-liberalismo aos reformistas do “socialismo democrático” ou social-democrata.
Este mito faz parte da tentativa de intimidação dos povos de impedir a discussão de alternativas ao capitalismo, a que se convencionou chamar o pensamento único.
• A austeridade gera riqueza
Pretende-se fazer crer que a culpa das crises económicas é originada pelo excesso de regalias dos trabalhadores. Se estas forem retiradas, o Estado poupa e o país enriquece.
O objectivo é fundamentalmente transferir para o sector publico, para o povo em geral e para os trabalhadores a responsabilidade do pagamento das dividas dos capitalistas. Fazer o povo aceitar a pilhagem dos seus bens na crença de que dias melhores virão mais tarde. Destina-se também a facilitar a privatização dos bens públicos, “emagrecendo” o Estado, logo “poupando”, sem referir que esses sectores eram os mais rentáveis do Estado, cujos lucros futuros se perdem desta forma.
Na verdade, constata-se que estas politicas conduzem, ano após ano, a uma empobrecimento das receitas do Estado e a uma diminuição das regalias, direitos e do nível de vida dos povos, que antes estavam assegurados por elas.
• Menos Estado, melhor Estado.
Pretende-se fazer crer que o sector privado administra melhor o Estado que o sector público.
O objectivo dos capitalistas é, “dourar a pílula” para facilitar a apropriação do património, das funções e dos bens rentáveis dos estados. É complementar do anterior.
Na verdade o que acontece em geral é o contrário: os serviços públicos privatizados não só se tornam piores, como as tributações e as prestações são agravadas. O balanço dos resultados dos serviços prestados após passarem a privados é quase sempre pior que o anterior. Na óptica capitalista a prestação de serviços públicos não passa de mera oportunidade de negócio. Neste mito é um dos mais “ideológicos” do capitalismo neoliberal. Nele está subjacente a filosofia de que quem deve governar são os privados e o Estado apenas dá apoio.
• A actual crise é passageira e será resolvida para o bem dos povos.
Pretende-se fazer crer que a actual crise económico-financeira é mais uma crise cíclica habitual do capitalismo e não uma crise sistémica ou final.
O objectivo dos capitalistas, com destaque para os financeiros, é continuarem a pilhagem dos Estados e a exploração dos povos enquanto puderem. Tem servido ainda para alguns políticos se manterem no poder, alimentando a esperança junto dos povos de que melhores dias virão se continuarem a votar neles.
Na verdade, tal como previu Marx, do que se trata é da crise final do sistema capitalista, com o crescente aumento da contradição entre o carácter social da produção e o lucro privado até se tornar insolúvel.
Alguns, entre os quais os “socialistas” e sociais-democratas, que afirmam poder manter o capitalismo, embora de forma mitigada, afirmam que a crise deriva apenas de erros dos políticos, da ganância dos banqueiros e especuladores ou da falta de ideias dos dirigentes ou mecanismos que ainda falta resolver. No entanto, aquilo a que assistimos é ao agravamento permanente do nível de vida dos povos sem que esteja à vista qualquer esperança de melhoria. Dentro do sistema capitalista já nada mais há a esperar de bom.
Nota final:
O capitalismo há-de acabar, mas só por si tal decorrerá muito lentamente e com imensos sacrifícios dos povos. Terá que ser empurrado. Devem ser combatidas as ilusões, quer daqueles que julgam o capitalismo reformável, quer daqueles que acham que quanto pior melhor, para o capitalismo cairá de podre, O capitalismo tudo fará para vender cara a derrota. Por isso quanto mais rápido os povos se libertarem desse sistema injusto e cruel mais sacrifícios inúteis se poderão evitar.
Hoje, mais do que nunca, é necessário criar barreiras ao assalto final da barbárie capitalista, e inverter a situação, quer apresentando claramente outras soluções politicas, quer combatendo o obscurantismo pelo esclarecimento, quer mobilizando e organizando os povos.
(*) Os mitos criados pelas religiões cristãs têm muito peso no pensamento único capitalista e são avidamente apropriados por ele para facilitar a aceitação do sistema pelos mais crédulos. Exemplos: “A pobreza é uma situação passageira da vida terrena”. “Sempre houve ricos e pobres”. “O rico será castigado no juízo final”. “Deve-se aguentar o sofrimento sem revolta para mais tarde ser recompensado.”
SOLIDARIEDADE COM A POETISA ANGYE GAONA PRESA PELO GOVERNO DA COLÔMBIA
Em janeiro de 2011, foi detida e encarcerada durante 4 meses em uma prisão de média segurança sem que fosse iniciado qualquer julgamento durante sua detenção. Depois de uma intensa campanha de petições de alcance internacional, foi posta em liberdade provisória, pois já se passava o tempo limite para iniciar seu julgamento.1
A promotoria colombiana acusa a poetisa de "conspiração criminosa agravada por delito de narcotráfico e rebelião". No meio da desordem da promotoria e dos tribunais na Colômbia, um julgamento injusto está para começar na cidade de Cartagena de Indias, a mais de 800 km de Bucaramanga, cidade onde Angye reside. Testemunhas de defesa estão impossibilitadas de viajarem para cidade do julgamento.
Apesar de ter uma vida difícil, com menos do necessário para alimentar a sua filhinha – com quem compartilha um apartamento em um bairro humilde de Bucaramanga, Angye Gaona se solidarizou, por meio de seu trabalho cultural e poético, com os milhares de presos políticos que padecem nos cárceres de seu país. A resposta do estado colombiano, como para todos aqueles que desafiam a ordem de terror estabelecida no país, não poderia ser outra.
Angye Gaona foi integrante da equipe organizadora do Festival Internacional de Poesia de Medellín, organizando assim em 2001 a primeira exposição do festival Internacional de Poesia Experimental. Também tem cultivado a escultura e a produção radiofônica. Trabalha realizando atividades de promoção das potências da poesia em sua cidade natal. Seus poemas foram incluídos em antologias e publicações impressas e digitais na Colômbia e no exterior.
Em 2009, publicou seu primeiro livro: Nascimento Volátil (Ilustrações de Natalia Rendón), e participou do Encontro Internacional de surrealismo atual: O Umbral Secreto, (Santiago do Chile), a maior mostra já realizada do movimento surrealista na América Latina. Em 2010 realizou o poema experimental, Os Filhos do Vento. Sua obra foi traduzida parcialmente em francês, catalão, português e inglês.
Em 2011 ganhou o Salão metropolitano das artes Mire. Em 2012 participará da Exposição Internacional Surrealismo 2012 (Pennsylvania, EUA), se não for encarcerada até lá.Um Dossiê Especial bilingüe lhe será dedicado, no próximo número da revista poética francesa La voix de autres, que será publicada em março de 2012.2
Atualmente se estima que a Colômbia tenha mais de 7.500 presos políticos, e é um dos países que mais desrespeita os direitos humanos no mundo.
No Brasil está sendo criado o Comitê Brasileiro de Solidariedade à Angye Gaona. O comitê já conta com um site, onde podem ser visualizadas maiores informações, orientações para ajuda e poemas de Angye, traduzidos para português. Além disso, o comitê pretende estender sua solidariedade com os outros presos políticos colombianos.
O endereço do site é: http://angyegaonalivre.wordpress.com/.
COMO AJUDAR?
- Divulgar estas informações para o máximo de pessoas;
- Enviar carta postal para o juiz do caso (modelo e endereço ao final desta página) e nos informar do envio (jeffvasques@gmail.com);
- Enviar email para embaixada da Colômbia no Brasil cobrando posicionamento (email: ebrasili@cancilleria.gov.co) e nos informar do envio (jeffvasques@gmail.com);
- Organizar atividades artísticas e politicas em defesa da liberdade de Angye Gaona e dos demais presos políticos da Colômbia (entrar em contato conosco para divulgar a atividade!)
- Visitar periodicamente este site para saber das novidades.
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políticas. A poesia e as modestas condições de vida de Angye Gaona refletem sua inocência, melhor do que poderia apontar o melhor advogado. Seu único crime é o de dizer a verdade através de sua obra poética. Parece-me essencial para a comunidade colombiana, que se respeite a vida e a liberdade de seus poetas, que são um pouco a alma de seu povo. Esperamos, senhor. Esperamos, senhor Juiz, que você seja quem garanta um julgamento justo que honre as instituições de Colômbia, rogo-lhe que aceite a expressão de meu respeito,